I: do silêncio
Para que se aprenda o valor da mudez
deve-se abandonar a lucidez
E arremessar bem longe qualquer carcaça
que qualquer amargura te faça
Mas não basta apenas isso
traz para ti os minutos eternos
que matam o tempo moderno
e reensinam a viver
II: do enxergar
Vê! Pois é bem valioso fechar os olhos,
ainda que ninguém entenda
basta que tu aprendas que viver não é deixar
morrer
Cuidado com os alertas
limite é um círculo desenhado à mão
Doença, mesmo, é se deixar objetivar
III: da felicidade
Os pedacinhos de chuva que se desprendem do céu podem te
ajudar
mesmo se você gripar por uma semana
Perigoso é não se arriscar
Você não é escravo nem senhor
Sua soberania se restringe a ter amor
Amor é quando um sabiá recita bom dia fazendo curva
no céu
IV: do companheirismo
Para que se aprenda o valor de um abraço
é preciso acordar com os olhos pesados
e enxergar um sorriso que brota
Não precisa disso, também
basta olhar pra imensidão
e enxergar além
V: da fé em si
Crê! Pois é bem furioso se reter aos olhos
acaba numa constante,
acaba por se acabar
VI:da loucura, razão e vida
Atenção aos desajustados, deles será honra da
loucura
Só os antipadrões são mesmo patrões de
algum quê
Lá fora sempre tem quem brigue, grite, sussurre
Mas aqui, no meu terreno, nada é tão sereno ao ponto
de adormecer
e nem tão intenso ao ponto de desfalecer
Nada de tristeza
se não vira braveza que não ajuda a enlouquecer
A doidura não é escudo
é lança sem ponta que desponta para desapontar os sem
fé
e desafiar os razoneiros
Todo louco quer ser são
pois loucura é o grande passo pra razão
Todo homem vai amar
Pois amor é o preço de ser e estar.
quinta 22 fevereiro 2007 20:58
Um segundo é uma palavra na dança da linguagem
É preciso encarnar cada sílaba e trilhar sua
oração
E, quando o ponto final chegar, saber que vem também
lamentação
Não há como redesenhar tuas letras apagadas
Nem inverter tuas estrofes
E, se queres preservar uma palavra,
Lembra-te de amor
O amor pode ser a conjunção
-ou a preposição-
Que te fará mudar o tempo verbal para o futuro
Aproveita bastante dos advérbios e predicativos!
Cuidado com a regência,
Mas às vezes ignora a concordância
É bom conhecer a própria etimologia
Torna-te filólogo de tuas palavras
Deriva impropriamente ao máximo
Hibridiza, aglutina, justaponha
Nunca sobreponha
Esquece os numerais, não são de grande
importância
Inicia sempre com letra maiúscula
Privilegia artigos indefinidos, exponha subjetividade
E guarda: ‘nós’ é sagrado
Lirismo sempre!
Discursa sobre tudo o que sentes
Pontua
Não sejas uma vírgula mal colocada
Entenda que tua vida é gerúndio
Não deixes que o imperfeito predomine em teu passado
E passa a saber: o mais-que-perfeito é desculpa para quedas
futuras
Nem toda construção é senso-comum
E nem todo período é composto
Porém, não te tornes sujeito indeterminado
Impera menos, subjetiva moderadamente
Indique, sim, mas nem sempre
A cada linha cabe apenas um verso
Proseia sempre que quiser ser ouvido
Versa sempre que quiser ser sentido
Apenas recorda que a vida é na voz reflexiva
Quem a julga ativa cai
Quem a julga passiva nunca foi um vocábulo.
sexta 02 fevereiro 2007 12:55
Eu quero ser o ar e correr frio sobre o mar
Eu quero ser o mar e fugir infinitamente pelo horizonte
Eu quero ser o horizonte e me perder em cada olhar
Eu quer o olhar para mostrar um mundo novo a quem ama
Eu quero ser quem ama para encontrar grande luz
Eu quero ser luz para iluminar seu coração
Mas eu não quero ser seu coração, porque
jamais gostaria nem um pouco de sangrar em vão.
quinta 01 fevereiro 2007 08:40
Não sei escrever em prosa
então me versifico
Sei contar sílaba não
Sei cantar um pouquinho só
E falo é de amor,
de sentimento do coração
Porque se sou mesmo um poeta
não quero fazer da palavra número não
Quero só deixar aqui
as venturas do coração.
terça 30 janeiro 2007 01:09
Consegui, finalmente, um blog. Ficou bonitinho, até. Melhor
do que os que eu estava fazendo.
Agora, um começo. Escrever é a coisa mais prazerosa
que já conheci e é a isso que eu quero me dedicar.
Sinceramente, espero contar com sua leitura. Isso não
implica que tenha que gostar, apenas leia. Porque as palavras que
escrevo são sentimentos e não idéias banais. E
por mais clichê que os temas lhe pareçam, note a forma
de expressão.
A arte gira em torno do amor. Seja com poesias de Fernando Pessoa
ou músicas do Sex Pistols, em qualquer canto as pessoas
estão aptas para amar, só precisam perceber.
Encerro, por aqui, meu primeiro artigo, obrigado a quem ler.
segunda 29 janeiro 2007 09:58